Cronistas, poetas e filósofos rendem-se ao futebol

POR HUBERT ALQUÉRES

seleção 01

O futebol ensinou, em certa medida, um pouco de democracia ao Brasil. José Miguel Wisnik lembra que o jogo sempre começa em zero a zero e submete as duas equipes às mesmas regras, colocando seus praticantes em condições de Continuar lendo

Direito à privacidade e liberdade de expressão

por Hubert Alquéres

Nas democracias, após o estabelecimento do contraditório, nada mais natural do que a revisão de posições. Isto faz crescer quem não fica apegado a dogmas e quem leva em consideração a legítima pressão dos meios de comunicação e da opinião pública. A mudança de posição não é Continuar lendo

A evolução dos textos e os novos leitores

por Hubert Alquéres, Clayton Policarpo e Maria Tereza Rangel Arruda Campos

artigo textos

Dos pergaminhos à tela, os leitores sempre se defrontaram com muitos e diferentes desafios. Na escrita antiga, nem as palavras nem os enunciados eram separados. Até cerca do século oitavo, quase não havia sinais de pontuação. A leitura do texto assim produzido tinha de Continuar lendo

A nova trincheira de Gabeira

por HUBERT ALQUÉRES

No início deste ano Fernando Gabeira lançou um novo livro de memórias, Onde está tudo aquilo agora?, pela Companhia das Letras, e declarou, nas páginas finais, que Continuar lendo

A Arte do Riso

por HUBERT ALQUERES

charge spacca

Um dedo perdido, membro fantasma que se transforma em consciencia crítica, inquisidora. Um dedo que já apontou para falcatruas e mal feitos, mas que agora se volta contra o próprio dono, rasteja em sua direção, sempre apontando, acusando. E o espanto no meio da noite, com os olhos esbugalhados, insone, um personagem acuado, fragil, tenta se proteger puxando as cobertas para cima. No lugar do sono dos justos, um pesadelo surrealista. Claros e escuros. Veja no desenho onde está Continuar lendo

Bloomsday

ulysses 05

A história se repete todos os anos: no dia 16 de junho, leitores de James Joyce se reúnem ao redor do mundo para celebrar o autor de Ulysses (1922), obra que se passa integralmente no dia 16 de junho de 1904 quando Leopold Bloom, o protagonista, passa perambulando por Dublin.
Nesse dia, os fãs de Joyce e que vivem em Dublin, vestem-se com roupas de época e caminham pelos cenários do romance, param pelo caminho para um café da manhã com torradas, salsicha e feijão, ou invadem os pubs, bebem o que podem, jogam dardos e se esbaldam.

O legado de José Bonifácio

O legado de José Bonifácio

Neste 13 de junho José Bonifácio de Andrada e Silva faria 250 anos. O Brasil tem muito a comemorar. Ele foi antes de tudo um visionário, um homem fiel ao seu tempo, que nos deixou um legado inestimável. Somos hoje um país com unidade nacional, dotado de um poder central legitimamente constituído. Somos ainda uma nação sem grandes conflitos raciais, pois temos um povo produto da miscigenação. Grande parte do que somos e conquistamos deve-se ao papel desempenhado por José Bonifácio e ainda hoje enfrentamos mazelas sociais que o “Patriarca da Independência” já combatia em sua época.
Seu pensamento inovador antecede a independência do país. Foi ele o artífice do documento “Lembranças e apontamentos”, apresentado por seis deputados paulistas na Constituinte de Lisboa, em 1821. Alí estavam as principais propostas de José Bonifácio para o Brasil: o estabelecimento de um governo geral executivo; a instrução pública com o aumento das escolas e a criação de pelo menos uma universidade; a fundação de uma cidade no Brasil Central para ser a sede do governo nacional. De fato, suas propostas eram “revolucionárias”: abolição do tráfico, extinção da escravidão, incorporação dos índios à sociedade, transformação do regime de propriedade agrária com a substituição do latifúndio pela subdivisão de terras, preservação e renovação das florestas.
Chama a atenção sua preocupação com a educação, com a reforma agrária e meio ambiente, temas extremamente atuais. Talvez sua maior contribuição para o país tenha sido a defesa intransigente de uma organização democrática, com sistema representativo e garantias constitucionais. Certamente a cultura política nacional estaria muito mais avançada se todos os homens públicos de hoje se espelhassem no exemplo de José Bonifácio de fortalecer as instituições democráticas, de dedicar a sua vida a um projeto de nação.
O legado de José Bonifácio é incompatível com a prática não republicana de quem corrói as instituições por dentro, ao guiar-se, exclusivamente, por seus projetos e ambições pessoais. Seremos uma Nação melhor quando os valores defendidos pelo Patriarca da Independência forem incorporados à cultura política do país.