Não estão entendendo quase nada

Mano Brown deu o alerta de que a esquerda não falava mais a linguagem do povo.

Um mês após a vitória de Jair Bolsonaro, reina a maior perplexidade nas forças políticas vitimadas pelo tsunami eleitoral. Sem explicações convincentes, tateiam no escuro, sem perceber que não estamos apenas diante de uma dessas ondas que vem e voltam, mas de um novo ciclo cuja duração é imprevisível. O recado das urnas ainda não foi assimilado e surgem versões das mais esdrúxulas.

Desconectado da realidade, Fernando Haddad culpa “a elite econômica que abriu mão do seu verniz ao eleger Bolsonaro”. Não consegue enxergar o fato de o novo presidente ter sido o candidato antissistema do qual o Partido dos Trabalhadores e Haddad fazem parte.

Já no PSDB e em outros partidos derrotados viceja a tese de que o fator determinante foi a facada em Bolsonaro. Em comum nessas interpretações está a recusa de uma profunda autocrítica por parte dos atores que ditaram a política desde o advento da Nova República.

O diagnóstico parte de uma premissa errada ao reduzir a eleição de Bolsonaro a uma onda conservadora. É algo muito mais profundo. Houve uma intensa alteração na base da sociedade sem que as forças tradicionais da política tenham se apercebido.

Pesquisa da Fundação Perseu Abramo na periferia paulistana já apontava isso. Mano Brown deu o alerta de que a esquerda não falava mais a linguagem do povo. Mas grande parte dela continuou raciocinando de forma binária: nós contra eles, capital contra o trabalho, esquerda versus direita, conservadores versus progressistas.

A leitura com olhar ultrapassado impediu as siglas tradicionais de entender o impacto da falência do Estado em ofertar serviços básicos à população.  Enquanto lhes faltava tudo, os brasileiros assistiam, hiperconectados às redes sociais, recursos públicos sendo drenados pela corrupção. Ao mesmo tempo o desemprego e a ação deletéria do crime organizado provocavam a erosão do núcleo familiar.

Para essas demandas os partidos e seus candidatos não tinham respostas.

Agremiações partidárias, aparatos tão importantes da democracia, viraram no Brasil instrumentos do patrimonialismo, servindo-se da política, em vez de servir à população. Enquanto Bolsonaro adotou uma agenda que falava com o conjunto da sociedade, a velha política falava para os seus: as corporações e os movimentos sociais e identitários, cuja pauta exacerbada e sectária os levou para inúmeros guetos.

Sem a ação do Estado e com a falência dos partidos políticos, os brasileiros viram nas igrejas neopentecostais a resposta para a recuperação da autoestima e da coesão familiar. Hoje são elas a principal força política organizada e com capilaridade em toda sociedade, a ponto de a bancada evangélica se candidatar a substituir o MDB como elemento da governabilidade.

Os eleitores foram claros no seu recado ao mundo da política, como dizia a canção: “você não está entendendo quase nada do que eu digo. Eu quero é tocar fogo nesse apartamento”.

Reconhecer a realidade é condição para se reinventar. Isso passa pela elaboração de um novo discurso sintonizado com as demandas das urnas, mas também por uma nova postura em relação a tabus. Como o enfrentamento do pensamento único na academia ou nas visões estereotipadas de causas identitárias, a exemplo do que ocorre hoje em segmentos dos movimentos negro, feminista ou gay.

Por aí haverá sinal de vida inteligente na oposição a Bolsonaro.

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Este artigo foi publicado originalmente no site da revista Veja, no Blog do Noblat:

Não estão entendendo quase nada

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Petrobras: estratégia ou ideologia

98% do refino está em mãos do Estado

A indicação do economista Roberto Castello Branco para presidente da maior empresa brasileira põe na ordem do dia o debate sobre qual deve ser o papel da Petrobras em um mundo em busca de energias limpas e renováveis. Dentro de algumas décadas o petróleo cederá espaço a novas fontes de energia e aquilo que hoje é visto como estratégico pode se transformar num tesouro morto, abandonado nas profundezas do pré-sal.

Concentrar esforços na sua exploração e produção, enquanto tem vida útil, passa a ser de interesse nacional.

Se esse é o objetivo estratégico a ser perseguido, faz inteiramente sentido a ideia do novo presidente da estatal de privatizar atividades nas áreas de distribuição e refino.

A BR distribuidora é uma grande rede de lojas, que pode muito bem ser tocada pela iniciativa privada sem comprometer a soberania nacional ou o desenvolvimento do país.

Por outro lado, 98% do refino está em mãos do Estado, quando o próprio monopólio da extração e produção do petróleo já foi quebrado há duas décadas. Qual a razão para não se repetir o modelo nas refinarias, a não ser o víeis ideológico e o saudosismo de um nacional desenvolvimentismo anacrônico?

Essas mesmas resistências se manifestaram quando o governo de Fernando Henrique Cardoso quebrou o monopólio na área de exploração por meio de concessões. A medida, em vez de enfraquecer a Petrobrás, a fortaleceu.

A concorrência obrigou-a a ganhos de produtividade e avanços tecnológicos, que levariam à descoberta do pré-sal. Em contrapartida o ideologismo trouxe danos à empresa e ao país, com o engessamento das regras de exploração do tesouro descoberto. A empresa viu-se obrigada a estar presente em áreas nas quais não tinha interesse nem aporte financeiro para tal.

Todo e qualquer tema sobre o futuro da Petrobras desperta paixões, até por seu simbolismo: ela nasceu como resultado da intensa campanha nacionalista “O petróleo é nosso”. Mas os tempos hoje são diferente dos anos 50, quando a política nacional-desenvolvimentista da era Vargas fazia sentido. O que é estratégico é mutável conforme a época.

A siderurgia foi essencial para dotar o Brasil de uma indústria de base sem a qual não surgiria um moderno parque de bens duráveis. Mas no início dos anos 90 já não se justificava a presença do Estado no setor e as siderúrgicas foram privatizadas. O mesmo aconteceu com a telefonia. Na década de 70 o Estado foi essencial para a criação de uma rede de telecomunicações em todo o país. Já no anos 90 seu grande salto se deu com as privatizações.

A Petrobras ainda tem um papel estratégico da sua competência na exploração em águas profundas, situando-se na última fronteira em termos tecnológicos. Um papel que pode estar com dias contados quando se mira para um horizonte de médio e longo prazo.

Se forem levadas em consideração as profundas transformações decorrentes da Quarta Revolução Industrial, o estratégico para o Brasil é ingressar no seleto rol do clube da inovação tecnológica. Hoje as principais empresas não são mais as petrolíferas e as de energia. São as cinco irmãs tecnológicas: Apple, Microsoft, Google, Facebook e Amazon.

Não faremos parte deste time se ficarmos acorrentados a dogmas do passado e a ranços ideológicos.

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Este artigo foi publicado originalmente no site da revista Veja, no Blog do Noblat:

Petrobras: estratégia ou ideologia

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Sem partido, na contramão

Hubert Alqueres, presidente do Conselho Estadual de Educação, aborda o desafio de superar problemas do Escola sem Partido

“A educação precisa almejar não só a preparação dos jovens para o mundo do trabalho, mas também fornecer aos alunos as habilidades necessárias para tornarem-se cidadãos ativos, responsáveis e engajados.”

Calma, defensores do projeto Escola Sem Partido. A citação não vem de alguma Internacional Comunista. É parte do Plano Estrutural da Aprendizagem 2030 da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento – OCDE. Na era da quarta revolução industrial, em que teremos de formar os jovens para profissões e uso de tecnologias hoje inexistentes, a educação está em pauta em todo o planeta.

Líderes mundiais e organismos internacionais buscam respostas sobre como deve ser a educação em um mundo onde as transformações ocorrem numa escala e velocidade sem precedentes. Nesse universo volátil, incerto, complexo e ambíguo – para usar a expressão da OCDE – é vital definir quais conhecimentos, habilidades, valores e atitudes são fundamentais para os jovens prosperarem.

A imprescindível missão do professor não é mais a mesma das primeiras revoluções industriais. Ele já não é o detentor do monopólio do conhecimento a ser transmitido, assim como a memorização não é mais o fator decisivo para a vida futura dos jovens. Hoje o professor deve ser gestor da aprendizagem e o aluno tem de estar no centro desse processo, como protagonista. E a escola tem de ser, por excelência, um espaço de convivência democrática, de estímulo, discussão e debate de ideias.

Ser contemporâneo é fornecer uma educação sustentável, que invista no protagonismo do estudante, em sua capacidade de se relacionar com empatia e argumentar com boas referências culturais. É combinar o forte conteúdo disciplinar com habilidades socioemocionais que farão a diferença para o jovem moldar seu mundo. Mais matemática, mais português, mais ciências, é importantíssimo, como reclamam o presidente eleito, Jair Bolsonaro, ou o governador eleito de São Paulo, João Dória. Mas insuficientes se não dotarmos o aluno de resiliência, autonomia, senso de responsabilidade, curiosidade, autorregulação, liderança por influência, pensamento crítico, imaginação, espírito cooperativo. Existem técnicas e dinâmicas pedagógicas para se atingir estes objetivos.

O Escola Sem Partido não responde a essas necessidades e se posiciona contra muitas destas dinâmicas. Vai inteiramente na contramão das mudanças já implementadas nos países mais bem ranqueados no PISA e pode nos remeter aos tempos da decoreba da tabuada, da palmatória – só que agora com sinal trocado, pois o castigado será o professor. O risco é o aprofundamento do fosso entre a educação brasileira e a dos países desenvolvidos.

Impossível dotar os alunos das habilidades não cognitivas em um clima de caça às bruxas. A educação que não respira liberdade não cumpre sua missão. O professor não desempenhará bem sua nova missão de gestor da aprendizagem se pairar sobre sua cabeça uma espada de Dâmocles.

Podemos tomar como exemplo a instituição à qual pertenço, o Colégio Bandeirantes, uma escola tradicional que se reinventou. Na década de 80, ele trouxe para as salas de aula temas tabu, como drogas e gravidez precoce. Nos últimos 10 anos, de forma pioneira, tem feito campanha anual junto a pais e alunos de vacinação de pré-adolescentes contra o vírus HPV. Impossível praticar uma ação de prevenção desta natureza sem falar de doenças sexualmente transmissíveis. Como cumprir esse papel sob a tutela do Escola sem Partido? Isto não seria interpretado como permissividade na questão sexual?

Não se pode, contudo, desconhecer que o Escola sem Partido foi uma reação a uma deformação incrustada em parte do sistema educacional. Na área de humanidades do ensino superior, em especial em muitos cursos de licenciatura que são responsáveis por formar os quadros da educação, o pluralismo deu lugar ao maniqueísmo a partir de uma visão rasa do marxismo, substituindo a ciência por uma visão ideológica, para não dizer religiosa, da realidade. Essa visão se reproduz na sala de aula por parte de alguns professores que atuam como militantes políticos e também em alguns materiais, como livros didáticos, numa corrente que dissemina um único pensamento.

Livrar-se desse dogma é essencial para a educação se colocar à altura das exigências do século 21.

A solução não é substituí-lo por outro dogma, tão fundamentalista quanto.

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Este artigo foi publicado originalmente no site da revista Veja São Paulo em 23 de novembro de 2018 e reproduzido no site do movimento Roda Democrática:

Artigo: Sem partido, na contramão

http://rodademocratica.com.br/2018/11/27/sem-partido-na-contramao-do-mundo/

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Hubert Alqueres é presidente do Conselho Estadual de Educação, professor do Colégio Bandeirantes e ex-docente da Escola Politécnica da USP

As Forças Armadas na era Bolsonaro

Parecem estar dentro da ordem, da regra do jogo e com espírito democrático.

Não são poucos os analistas a considerar a eleição de Jair Bolsonaro como o retorno dos militares ao poder. A esquerda que não se reciclou e nem fez o seu acerto de contas com a história vai mais longe. Alardeia que o fantasma de 1964 ronda o país, como se estivéssemos em marcha batida para uma “ditadura fascista”, de cunho militar.

O fato de Bolsonaro ter sido capitão do Exército, a escolha de generais da reserva como ministros do próximo governo e a eleição de alguns militares para o poder legislativo dariam fórum de verdade à tese de que os fardados estão de volta.

Como as aparências são a face enganosa das coisas, é preciso domar preconceitos para identificar qual será o papel das Forças Armadas durante os anos Bolsonaro. Nesse sentido, a entrevista do comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, ao jornal Folha de S.Paulo oferece algumas pistas.

Liderança inconteste da tropa, o general deixa claro que o estamento militar entendeu o quanto foi nocivo para a própria instituição os períodos em que intervieram na vida política nacional. Não é apenas o pensamento do atual alto comando, mas uma cultura que se formou desde do recuo organizado para os quartéis.

Sintomaticamente, o comandante do Exército lembrou que Bolsonaro saiu da caserna há trinta anos. Há uma questão crucial para a cadeia de comando das três armas. A linha divisória entre os quartéis e a política não pode ser ultrapassada. A politização da caserna inexoravelmente leva à corrosão da disciplina, da hierarquia, e estabelece a divisão no seu interior. Isto, querem evitar.

Ainda está fresca em sua memória o tempo em que generais bem postados no Almanaque do Exército eram “caroneados” quando da promoção para escalão superior. O critério da antiguidade era deixado de lado em função das afinidades e idiossincrasias com o presidente-militar.

A promoção de João Baptista Figueiredo a general de quatro estrelas, deixando para trás colegas mais antigos do que ele, apenas para suceder Ernesto Geisel, ilustra bem o quadro da época.

Tudo isto não autoriza concluir que o papel das Forças Armadas será o mesmo dos demais governos. Provavelmente o Alto Comando atuará como eminência parda de Bolsonaro, ou como poder moderador invisível.

A nomeação do general da reserva Augusto Heleno Pereira para o ministro do Gabinete de Segurança Institucional provavelmente corresponde a esse “novo papel” destinado às Forças Armadas. O próprio comandante do Exército disse que isto foi uma sugestão sua.

A questão é saber se, nas circunstâncias atuais, este novo papel é positivo ou não. Provavelmente sim. As Forças Armadas parecem estar dentro da ordem, da regra do jogo e com espírito democrático.

Elas devem se juntar a outros freios e contrapesos do ordenamento democrático, como o Parlamento e o Judiciário, no sentido de conter os impulsos autoritários e os rompantes do próximo presidente, ditados por motivos de fé ou ideológicos.

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Hubert Alquéres é professor e membro do Conselho Estadual de Educação (SP). Lecionou na Escola Politécnica da USP e no Colégio Bandeirantes e foi secretário-adjunto de Educação do Governo do Estado de São Paulo.

Este artigo foi publicado originalmente no site da revista Veja, no Blog do Noblat:

As Forças Armadas na era Bolsonaro

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Acertos e tropeços

O presidente eleito joga contra

É muito cedo para se fazer grandes avaliações sobre os rumos de um governo que sequer começou. Mas, com pouco mais de uma semana da eleição, é possível concluir que Jair Bolsonaro marcou alguns tentos em determinadas áreas e pisou na bola em outras. Embora demonstre desconhecimento do tamanho do campo e de várias regras do jogo, até aqui o placar lhe é favorável.

A escolha dos primeiros nomes da equipe indicam sua disposição de não lotear politicamente o governo. A de Sérgio Moro pode ser vista como um gol de placa. Sinalizou o compromisso com a agenda de combate à corrupção e ao crime organizado, duas fortes demandas da sociedade.

Na rubrica dos seus acertos tem a política econômica descortinada por seu super ministro Paulo Guedes. Ela vai na direção da abertura da economia, de sua integração competitiva nas cadeias produtivas globais, de modernização da infraestrutura, da atração de fortes investimentos externos por meio de um amplo programa de privatização, de conquistar novos mercados externos por meio de acordos bilaterais.

Também é positiva a intenção de enfrentar o grave problema do déficit público por meio da reforma do Estado. Mas aqui começa o bate-cabeça com a sua equipe.

Publicamente o presidente diverge da ideia do seu posto Ipiranga de uma Previdência com base na capitalização. Sem entrar no mérito da proposta, a discordância gera instabilidade no mercado por alimentar a percepção de que as cabeças de Paulo Guedes e Bolsonaro são antípodas, motivo para desconfianças quanto sua conversão de estatista em liberal.

O presidente eleito joga contra quando acena com medidas que podem comprometer profundamente o agronegócio, setor da economia brasileira que mais tem obtido ganhos de produtividade e é responsável pela geração de milhões de empregos e divisas.

A ideia de fundir a Agricultura com o Meio-Ambiente é duplamente desastrosa. Menos mal que em entrevista à imprensa o presidente eleito tenha dado sinais de recuo em relação a esta fusão. De um lado, revela desconhecimento em relação à questão ambiental, que não se limita apenas à questão agrícola, e, de outro, compromete o desempenho do agronegócio.

A União Europeia é um dos principais importadores da nossa produção de grãos. Cada vez mais os países consumidores exigirão certificados que atestem o desenvolvimento sustentado. Atender tais requisitos não é uma questão de ideologia, é uma exigência do mercado.

Bolsonaro vai para a marca do pênalti quando acena com mudanças na política externa que comprometem seriamente a política de pragmatismo responsável arduamente construída pelo Itamaraty. Mas arrisca-se a tomar uma goleada ao tratar questões complexas com leviandade.

A China é o nosso principal parceiro comercial, com o qual temos um superávit de 20 bilhões de dólares. Nos próximos quinze anos, os chineses pretendem importar 40 trilhões de dólares em bens e serviços. Vamos ficar de fora desse mercado por causa da busca de afinidade do presidente eleito com Donald Trump?

Ele também entra em rota de colisão com os países árabes ao querer transferir a embaixada brasileira para Jerusalém. Temos com esses países um superávit na balança comercial de U$ 7 bilhões e exportamos tão somente R$ 400 milhões para Israel. Por que fazer uma provocação grosseira aos árabes, que podem muito bem retaliar, como já deixou claro o Egito?

É sabida a admiração de Bolsonaro pelos governos militares. Deveria, portanto, se espelhar na política soberana do ex-presidente Ernesto Geisel, cujo pragmatismo responsável o levou a restabelecer relações diplomáticas com a China. Geisel não era um comunista, longe disso. Apenas priorizava o interesse nacionais.

 

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Hubert Alquéres é professor e membro do Conselho Estadual de Educação (SP). Lecionou na Escola Politécnica da USP e no Colégio Bandeirantes e foi secretário-adjunto de Educação do Governo do Estado de São Paulo.

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Acertos e tropeços

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